Desempenho (performance) e Motivação

Vale a pena contratar uma palestra ou fazer um evento sobre motivação?

 

A resposta curta é: sim, mas só se você souber o que é motivação e que a empresa tem, SIM, muita responsabilidade nos níveis de motivação de seus colaboradores. Agora que eu te dei a resposta curta e rápida, vamos conversar mais sobre isso. 

 

Desempenho (performance) e Motivação

 

VERDADE NÚMERO 1: A motivação impacta no desempenho. 

 

A motivação para e no trabalho tem a ver com a persistência (quanto tempo dura), a intensidade (bastante ou pouco) e a direção (para onde) no alcance de um ou mais objetivos. 

A Bia é professora da 3a série numa escola pequena. Bia acha que poderia ganhar um pouco mais e trabalhar menos, devido ao desgaste que se tem ao ser professor, ainda assim ela diz que encontrou sua vocação na educação, por isso tem dedicado a maior parte do seu dia para isso, bem como tem atuado como professora nos últimos 12 anos. Para ela, todas as lutas valem a pena quando, no final do ano, vê o quanto seus alunos desenvolveram. Não é difícil perceber aqui como a motivação de Bia tem impactado no seu desempenho como professora.

 

MITO NÚMERO 1: A motivação é o único determinante do desempenho

 

Ainda que a motivação tenha um papel crucial para o desempenho profissional, ela não é o único fator. Considerando os fatores internos de uma pessoa, a literatura concorda que ao menos 3 se interconectam e impactam no desempenho: a motivação, as percepções e as emoções do indivíduo (Veja mais em Amabile e Kramer, na Harvard Business Review).

 

As Sementes da Motivação

MITO NÚMERO 2: Motivação no trabalho é consequência direta de prêmios e remunerações 

 

Se tem algo que os pesquisadores concordam é isso: motivação não é decorrência direta de bons salários e prêmios. Aliás, esse fator – segundo as pesquisas – não costuma aparecer nem entre os 5 principais. 

Herzberg aponta que os fatores que contribuem para motivação são: 

  1. Senso de conquista;
  2. Reconhecimento; 
  3. Percepção de responsabilidade pelo que faz;
  4. O trabalho em si (gostar daquilo que faz e/ou ver propósito no trabalho);
  5. Senso de avanço;
  6. Crescimento pessoal.

 

Pois é… não tem nenhum elemento financeiro. Mas atenção: ainda que você não consiga gerar motivação e satisfação com a parte financeira, você pode sim gerar muita insatisfação. E, acredite em mim, você não quer experimentar trabalhar com colaboradores insatisfeitos. Então, se você precisar escolher, é melhor ter um pessoal neutro em termos de motivação do que insatisfeitos. Vou te mostrar essa relação:

 

MITO NÚMERO 3: Se algo não gera motivação, não deve ser levado em conta

 

Gerir baseado num único índice, nesse caso a motivação, seria um erro grotesco. A motivação é importante, impacta no desempenho do colaborador e da organização, melhora o clima organizacional e o trabalho da equipe, mas todos sabemos que mesas não se sustentam com um só pé. O mesmo Herzberg da lista anterior identificou fatores que geram muita insatisfação nos colaboradores quando não são minimamente satisfeitos: 

 

  1. As condições do trabalho;
  2. As relações com os colegas de trabalho;
  3. As regras e políticas da empresa;
  4. A qualidade da supervisão (do chefe);
  5. Salários e bases de pagamento.

 

Assim, motivação importa. Mas não é tudo que importa.

 

A Responsabilidade da Organização na Motivação

 

VERDADE NÚMERO 2: A empresa impacta na motivação dos colaboradores, seja na fase inicial, na manutenção ou até na desmotivação

 

Veja, se há relação da motivação com as percepções e as emoções do indivíduo, parece bastante óbvio dizer que aquilo que acontece no dia a dia das organizações está no mesmo tabuleiro desse jogo. As nossas antenas estão captando nosso entorno o tempo todo e isso não entra em pausa quando estamos no trabalho. Tudo isso se cruza com as percepções do indivíduo sobre o que acontece, se choca com suas emoções e também motivação. Portanto, chegamos ao mito número 4:

 

MITO NÚMERO 4: Com relação à motivação, a responsabilidade da empresa é mínima, já que a motivação é pessoal

 

Ora, ora… quem dera fosse assim fácil relegar quase toda responsabilidade da motivação para o colaborador, mas isso não é possível nem verdade, desculpe lhe dizer. 

Ainda que a motivação seja um processo pessoal, que ocorre lá dentro da mente de cada indivíduo, o entorno está gerando inputs

Volte algumas casas até o MITO NÚMERO 2 e faça o exercício de o que seria necessário para implementar práticas organizacionais que dêem suporte para esses fatores e, por consequência, auxiliem no aumento da motivação. 

Vejamos alguns exemplos:

 

  1. Senso de conquista: o que é conquistável? A empresa está ciente daquilo que o colaborador considera uma conquista? Existe um plano para essa conquista? Em que passo se está para essa conquista?
  2. Reconhecimento: como e o que a empresa está reconhecendo? 
  3. Percepção de responsabilidade pelo que faz: como e o que a empresa está ofertando para o colaborador como algo que ele tem responsabilidade e autonomia para decidir e realizar?
  4. O trabalho em si (gostar daquilo que faz e/ou ver propósito no trabalho): o trabalho que o colaborador faz está de acordo com seus potenciais, suas habilidades? 
  5. Senso de avanço: a empresa tem auxiliado o colaborador a perceber que ele está progredindo? No que e quanto?
  6. Crescimento pessoal: o colaborador consegue perceber que ele está crescendo como pessoa e como profissional (em termos de carreira)?

 

Portanto, acho que entreguei muita coisa por aqui que vai demandar tempo e pensamento para você colocar em prática aí na sua organização, mas não quero encerrar sem voltar à primeira questão levantada: Vale a pena contratar uma palestra ou fazer um evento sobre motivação? 

Eu já tinha dito que a resposta rápida e direta é sim. Mas agora que você sabe que tem um monte de fatores e elementos importantes a serem considerados quando se fala de motivação, entenda que o profissional que você contratar também precisa saber disso e é sua responsabilidade verificar. A palestra (ou evento) deve focar naqueles elementos que chamamos de sementes da motivação. Palestrantes com fortes habilidades de story telling podem inspirar e abrir espaços de pensamentos nunca antes tocados pelos colaboradores, abrindo portas para essa autopercepção que culmina em motivação e, por consequência, em melhor desempenho.

Nosso Contato

Rua São Gabriel, 111
CEP 82900-340 | Curitiba - PR
(41) 3366-4344
palestras@godri.com.br